Monday, April 9, 2007

Pedro, lembrando Inês

Em que pensar, agora, senão em ti? Tu, que
me esvaziaste de coisas incertas, e trouxeste a
manhã da minha noite. É verdade que te podia
Dizer “Como é mais fácil deixar que as coisas
não mudem, sermos o que sempre fomos, mudarmos
apenas dentro de nós próprios?” Mas ensinaste-me
a sermos dois; e a ser contigo aquilo que sou,
até sermos um apenas no amor que nos une,
contra a solidão que nos divide. Mas é isto o amor,
ver-te mesmo quando te não vejo, ouvir a tua
voz que abre as fontes de todos os rios, mesmo
ele que mal corria quando por ele passámos,
subindo a margem em que descobri o sentido
de irmos contra o tempo, para ganhar o tempo
que o tempo nos rouba. Como gosto, meu amor,
de chegar antes de ti para te ver chegar: com
a surpresa dos teus cabelos, e o teu rosto de água
fresca que eu bebo, com esta sede que não passa. Tu:
a primavera luminosa da minha expectativa,
a mais certa certeza de que gosto de ti, como
gostas de mim, até ao fim do mundo que me deste.

Nuno Júdice
In-Pedro Lembrando Inês

Posted by canalves at 19:17:09
Comments

2 Responses to “Pedro, lembrando Inês”

  1. Anonymous says:

    esse livro é um mundo para mim. vivo nele.

  2. Anonymous says:

    Descobri este livro há poucos dias… Que coisa maravilhosa, a poesia. Ainda mais quando ao lermos descobrimos nas palavras a nossa própria vida.
    Também eu sou Inês, também eu tive um Pedro.

    Inês

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